Publicações
Publicado: 26 de março de 2026 às 09:38

Brasil atinge marca de 14 montadoras chinesas em operação; 38 empresas estão no radar

De cada 10 carros importados emplacados no país em 2025, quase 4 vieram da China; marcas como BYD e GWM lideram movimento que já inclui produção local.

O mercado automotivo brasileiro passa por uma transformação profunda e acelerada pela "segunda onda" de veículos chineses. Atualmente, o Brasil conta com 14 marcas da China operando oficialmente, mas o número de empresas em processo de homologação, testes ou planejamento de entrada chega a 38, segundo levantamento da consultoria Anfavea. Em 2025, os chineses consolidaram seu protagonismo: 37,6% dos 498 mil veículos importados vendidos no Brasil vieram do país asiático, superando pela primeira vez fornecedores tradicionais como o México e os vizinhos do Mercosul.

Diferente da primeira tentativa de entrada nos anos 2000, marcada por produtos de baixa qualidade e redes de assistência frágeis, o movimento atual foca em tecnologia de ponta, eletrificação e luxo. Gigantes como BYD (com fábrica em Camaçari-BA) e GWM (em Iracemápolis-SP) já iniciaram a produção nacional, enquanto novos nomes como Jetour, Omoda Jaecoo, Zeekr e Leapmotor (em parceria com a Stellantis) expandem rapidamente suas redes de concessionárias.

Quem são as 14 marcas chinesas no Brasil?

  1. BYD: Líder em eletrificados, produz em Camaçari (BA). Enfrentou polêmicas recentes com o MPT por condições de trabalho, mas mantém forte ritmo de vendas.
  2. GWM: Produção local em Iracemápolis (SP) e linha diversificada (Haval, Ora, Poer).
  3. CAOA Chery: Parceria consolidada com renovação constante da linha Tiggo.
  4. CAOA Changan: Foco na marca de luxo Avatr, com o SUV elétrico 11.
  5. Denza: Braço de luxo da BYD, com SUVs e minivans de alto valor (até R$ 800 mil).
  6. GAC: Estreou em 2025 com cinco modelos, incluindo o SUV Hyptec HT.
  7. Geely: Investimento de R$ 3,8 bilhões junto à Renault no Paraná para novos híbridos.
  8. Omoda Jaecoo: Estrutura robusta com ex-executivos da VW e foco em SUVs premium.
  9. Jetour: Marca do grupo Chery com foco em design robusto e modelos plug-in.
  10. Leapmotor: Operação conjunta com a Stellantis, utilizando a fábrica de Goiana (PE).
  11. MG Motor: Tradicional marca britânica (hoje da chinesa SAIC) com foco em roadsters elétricos.
  12. Zeekr: Marca premium do grupo Geely com foco em esportivos e SUVs de alto desempenho.
  13. Foton: Consolidada em caminhões, agora aposta em picapes grandes (Tunland).
  14. JAC Motors: Pioneira, agora foca mais em veículos comerciais e picapes elétricas.

Há espaço para mais?

Especialistas apontam que, embora o apetite chinês seja grande, o mercado brasileiro passará por uma seleção natural. A permanência das marcas dependerá de fatores além do preço: pós-venda eficiente, disponibilidade de peças e valor de revenda. "A cota de erros dessa indústria já foi batida", afirma o consultor Ricardo Bacellar. O sucesso de nomes como Polestar e Lynk & Co (esperados para 2026) dependerá de quão rápido conseguirão convencer o consumidor brasileiro de que seus produtos são, de fato, superiores ou mais vantajosos que os modelos tradicionais de marcas europeias e americanas.