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Publicado: 06 de abril de 2026 às 08:26

Avanço: Neusa Frazatti detalha a eficácia e o futuro da primeira vacina 100% brasileira contra a dengue.

Em entrevista exclusiva, a líder do projeto no Instituto Butantan detalha como o Brasil desenvolveu a primeira vacina tetravalente de dose única do mundo, garantindo imunidade por pelo menos cinco anos.

A história da vacinação no Brasil ganhou um novo capítulo com a liderança da Dra. Neusa Frazatti. Bióloga e doutora em biotecnologia pela USP, ela esteve à frente da equipe que transformou um desafio global a proteção contra os quatro sorotipos da dengue — em uma solução brasileiríssima: a Butantan-DV.

Diferente de outras vacinas disponíveis no mercado internacional, que exigem duas ou três doses, a tecnologia desenvolvida no Butantan permite que o cidadão saia do posto de saúde protegido com apenas uma picada. "O objetivo de qualquer vacina é ser dose única para que a imunidade dure e a população não deixe de completar o esquema vacinal", explicou a doutora.

O Segredo da Dose Única: Vírus Vivo Atenuado

A Dra. Neusa detalhou a complexidade científica por trás do imunizante. A vacina do Butantan utiliza a plataforma de vírus vivo atenuado, que simula a doença de forma muito branda no organismo.

  • Imunidade Duradoura: Por simular o contato real com o vírus, essa tecnologia gera uma resposta imunológica mais robusta. Estudos já comprovam que a proteção dura, no mínimo, cinco anos.
  • O Desafio dos Sorotipos: A dengue possui quatro "sorotipos" (1, 2, 3 e 4). A equipe de Neusa precisou criar uma formulação equilibrada onde todos os quatro vírus atenuados convivam no mesmo frasco. "É complexo e difícil; muitas empresas tentam e poucas conseguem", afirmou.

Tecnologia 100% Nacional e Soberania

Um dos pontos altos da entrevista foi a confirmação de que a plataforma de produção que utiliza biorreatores de larga escala (até 150 litros) e linhagens celulares é totalmente dominada pelo Instituto Butantan.

  1. Independência de Importação: Ao dominar a produção das células e a replicação dos vírus, o Brasil não depende de insumos estrangeiros (IFA), o que barateia o custo para o SUS.
  2. Patentes Internacionais: A vacina já possui patentes em mais de 14 países, incluindo EUA, Índia e nações da Europa, provando que o conhecimento gerado em Minas Gerais e São Paulo tem valor global.

"Vacinem-se: Conhecimento é Tudo"

Ao final da conversa, a Dra. Neusa Frazatti fez um apelo contundente contra o negacionismo. Ela lembrou que a dengue causa dores intensas, hospitalizações e impacta a economia e a qualidade de vida.

"Vá pesquisar, vá ler. Conhecimento é tudo. Se tiver dúvida, olhe na internet o quanto as vacinas são boas e quantas vidas elas já salvaram. Vacinem seus filhos, seus pais e a si mesmos", recomendou a cientista.

A Butantan-DV não é apenas um avanço médico; é o resultado da resiliência dos cientistas brasileiros que, como a Dra. Neusa, provaram que o Brasil pode liderar a inovação tecnológica mundial.