'Art of the Deal': EUA fecham acordo bilionário para garantir terras raras do Brasil
Em um movimento estratégico para quebrar a hegemonia chinesa, a norte-americana USA Rare Earth (USAR) adquire a mineradora Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.
O mercado global de minerais críticos foi sacudido nesta semana de abril de 2026. A companhia americana USA Rare Earth (USAR) anunciou a aquisição definitiva da brasileira Serra Verde, detentora da mina Pela Ema, em Minaçu (GO). O negócio, avaliado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões), é o maior já realizado no setor de terras raras no Brasil e coloca o país no epicentro da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos.
Os Detalhes do "Acordo de 15 Anos"
O negócio não se limita apenas à compra da mineradora, mas estabelece uma estrutura de fornecimento inédita e de longo prazo:
- Contrato de Offtake Exclusivo: A Serra Verde firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% de sua produção da Fase I a uma empresa de propósito específico (SPV) capitalizada pelo governo dos EUA e fontes privadas.
- Financiamento Estatal: O governo americano, por meio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), já havia aportado US$ 565 milhões na operação, garantindo inclusive o direito de participação acionária minoritária.
- Independência da Ásia: A mina em Goiás é a única fora da Ásia capaz de fornecer em escala os quatro elementos magnéticos essenciais (neodímio, praseodímio, térbio e disprósio), vitais para motores de veículos elétricos e sistemas de defesa de alta tecnologia.
Por que este acordo é um marco histórico?
Até 2024, a Serra Verde exportava quase a totalidade de sua produção para a China. Com este novo desenho, o fluxo inverte-se completamente em favor do bloco ocidental.
- Fim do Domínio Chinês: Atualmente, a China controla mais de 90% da cadeia de processamento de terras raras. O acordo cria a primeira cadeia integrada "da mina ao ímã" (mine-to-magnet) totalmente fora da influência asiática.
- Valorização na Nasdaq: Após o anúncio em 20 de abril, as ações da USA Rare Earth saltaram 15%, elevando o valor de mercado da companhia para quase US$ 5 bilhões.
- Impacto em Goiás: O governo de Ronaldo Caiado tem vinculado o projeto ao desenvolvimento do norte goiano, prevendo que a produção na mina Pela Ema possa dobrar até 2030 sob a nova gestão.
O Papel do Governo Brasileiro
Diferente de setores como o petróleo, a exploração de terras raras no Brasil segue o regime mineral padrão (CFEM). Segundo especialistas jurídicos, a operação é legal e não exigiu aprovação direta do Planalto para o contrato de venda exclusiva, já que a detentora do título minerário tem o direito de escolher seus clientes, desde que cumpridas as obrigações fiscais e ambientais.
"A aquisição é um passo transformador para construir uma campeã global e a parceira preferencial em ímãs e metais de terras raras", afirmou Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth.
Conclusão: Em abril de 2026, o Brasil consolida sua posição como o maior aliado mineral dos EUA no Hemisfério Sul. O "acordo bilionário" não é apenas uma transação comercial, mas uma peça de xadrez fundamental na geopolítica da transição energética, garantindo que os futuros carros elétricos e mísseis americanos tenham em seu "DNA" o minério extraído do solo goiano.
