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Publicado: 12 de maio de 2026 às 15:57

Crédito mais caro: Taxa média do empréstimo pessoal sobe para 8,59% ao mês, aponta Procon

Bradesco lidera altas entre os grandes bancos com elevação de 1,01 ponto percentual; levantamento alerta para o custo efetivo total da dívida em 2026

O custo de pegar dinheiro emprestado no Brasil voltou a subir. De acordo com o mais recente levantamento do Procon-SP, a taxa média de juros para empréstimo pessoal nas principais instituições financeiras do país atingiu 8,59% ao mês. O movimento reflete um ajuste nas políticas de risco e crédito dos bancos em meio a um cenário de inadimplência persistente e seletividade na concessão de recursos.

O destaque negativo da pesquisa foi o Bradesco, que registrou a maior variação entre os bancos monitorados. A instituição elevou sua taxa de 8,49% a.m. para 9,50% a.m., um salto de 1,01 ponto percentual em apenas um mês.

Radiografia das Taxas nos Grandes Bancos

O levantamento mensal do Procon analisa as taxas máximas aplicadas por seis das principais instituições bancárias. Confira o cenário atual:

InstituiçãoTaxa Anterior (% a.m.)Taxa Atual (% a.m.)Variação (p.p.)
Bradesco8,499,50+ 1,01
Média do Mercado8,428,59+ 0,17
Outras InstituiçõesEstáveisEstáveis-

Atenção: Embora o Bradesco tenha puxado a média para cima, os demais bancos consultados (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander) mantiveram suas taxas inalteradas em relação ao mês anterior. No entanto, o Procon ressalta que o patamar de 8,59% a.m. já representa um custo extremamente elevado para o orçamento doméstico.

O Impacto no Bolso do Consumidor

Para entender a gravidade do aumento, é preciso olhar para o efeito acumulado. Uma taxa de 9,50% ao mês equivale a uma taxa anual superior a 190%. Isso significa que, ao contratar um empréstimo nessa modalidade, o consumidor pode acabar pagando quase o triplo do valor original em um curto espaço de tempo.

Dicas do Procon para evitar o superendividamento:

  1. Custo Efetivo Total (CET): Não olhe apenas para a taxa de juros. Peça o CET, que inclui taxas administrativas, seguros e impostos (IOF). É este número que diz o quanto você realmente pagará.
  2. Pesquisa de Mercado: A diferença entre o banco com a menor taxa e o com a maior taxa pode ser abismal. Portabilidade de crédito pode ser uma opção para quem já tem dívidas caras.
  3. Necessidade Real: O Procon recomenda que o empréstimo pessoal seja utilizado apenas em emergências extremas, devido ao alto custo. Para dívidas estruturadas, outras modalidades como o crédito consignado (com desconto em folha) costumam oferecer taxas significativamente menores.

Contexto Econômico

Especialistas indicam que o aumento pontual em instituições como o Bradesco pode ser um movimento de "represamento" de crédito, onde o banco eleva o preço para reduzir o volume de novos contratos e mitigar riscos de calote. Para o consumidor, a mensagem é clara: 2026 segue exigindo cautela máxima com o crédito não garantido.