Brasil volta ao 3º lugar no ranking de complexidade para fazer negócios
Sistema tributário fragmentado e mudanças regulatórias constantes mantêm o país no topo da lista global de dificuldades operacionais para empresas
O Brasil retomou o 3º lugar como um dos países mais complexos do mundo para se fazer negócios, de acordo com o Índice Global de Complexidade Corporativa (GBCI) da TMF Group. O estudo anual analisa o ambiente de negócios em 79 jurisdições, avaliando critérios como facilidade de constituição de empresas, gestão de folha de pagamento e, principalmente, o ambiente fiscal e regulatório.
A posição reforça o desafio histórico do "Custo Brasil", evidenciando que, apesar das tentativas de simplificação, a burocracia e a volatilidade legislativa continuam a ser barreiras significativas para o investimento estrangeiro e para a eficiência das empresas nacionais.
Os Pilares da Complexidade Brasileira
O relatório aponta três fatores críticos que sustentam a alta posição do Brasil no ranking:
- Sistema Tributário Fragmentado: A coexistência de impostos federais, estaduais e municipais cria uma malha de obrigações difícil de gerenciar. A expectativa pela implementação completa da Reforma Tributária é alta, mas o período de transição gera incertezas adicionais.
- Mudanças Regulatórias Frequentes: A alta velocidade com que novas leis, decretos e instruções normativas (como a recente norma da Receita para fintechs) são publicados exige que as empresas mantenham grandes equipes dedicadas apenas ao acompanhamento jurídico.
- Exigências Rígidas de Compliance: O Brasil possui um dos sistemas de reporte digital mais avançados do mundo (como o eSocial e o SPED), o que, embora aumente a transparência, impõe um custo operacional elevado para a conformidade de dados.
Comparativo Global
O Brasil fica atrás apenas de jurisdições que enfrentam crises políticas severas ou regimes extremamente fechados, destacando-se como uma anomalia entre as grandes economias do G20 devido ao peso de sua burocracia interna.
| Ranking 2026 | Jurisdição | Principal Motivo da Complexidade |
|---|---|---|
| 1º | Grécia | Burocracia administrativa e digitalização lenta. |
| 2º | França | Leis trabalhistas complexas e rigor regulatório. |
| 3º | Brasil | Sistema tributário e mudanças frequentes de regras. |
| 4º | México | Processos de constituição lentos e burocracia local. |
| 5º | Colômbia | Reformas fiscais constantes e instabilidade política. |
Perspectivas para o Investidor
Para especialistas, estar no "pódio" da complexidade não significa que o Brasil não seja lucrativo, mas sim que o risco operacional é maior.
- Necessidade de Parceiros Locais: Operar no país sem uma consultoria contábil e jurídica robusta é considerado um erro estratégico para multinacionais.
- Foco em Tecnologia: A automação de processos fiscais tornou-se a única saída para manter a competitividade diante das exigências de compliance.
Conclusão
O retorno ao 3º lugar serve como um alerta para os formuladores de políticas públicas. Enquanto o ambiente de negócios brasileiro não oferecer maior previsibilidade e simplificação, o capital internacional tenderá a ser mais seletivo, priorizando setores com margens que compensem o alto custo de conformidade exigido pelo país.
