Publicações
Publicado: 14 de maio de 2026 às 09:11

Brasil volta ao 3º lugar no ranking de complexidade para fazer negócios

Sistema tributário fragmentado e mudanças regulatórias constantes mantêm o país no topo da lista global de dificuldades operacionais para empresas

O Brasil retomou o 3º lugar como um dos países mais complexos do mundo para se fazer negócios, de acordo com o Índice Global de Complexidade Corporativa (GBCI) da TMF Group. O estudo anual analisa o ambiente de negócios em 79 jurisdições, avaliando critérios como facilidade de constituição de empresas, gestão de folha de pagamento e, principalmente, o ambiente fiscal e regulatório.

A posição reforça o desafio histórico do "Custo Brasil", evidenciando que, apesar das tentativas de simplificação, a burocracia e a volatilidade legislativa continuam a ser barreiras significativas para o investimento estrangeiro e para a eficiência das empresas nacionais.

Os Pilares da Complexidade Brasileira

O relatório aponta três fatores críticos que sustentam a alta posição do Brasil no ranking:

  1. Sistema Tributário Fragmentado: A coexistência de impostos federais, estaduais e municipais cria uma malha de obrigações difícil de gerenciar. A expectativa pela implementação completa da Reforma Tributária é alta, mas o período de transição gera incertezas adicionais.
  2. Mudanças Regulatórias Frequentes: A alta velocidade com que novas leis, decretos e instruções normativas (como a recente norma da Receita para fintechs) são publicados exige que as empresas mantenham grandes equipes dedicadas apenas ao acompanhamento jurídico.
  3. Exigências Rígidas de Compliance: O Brasil possui um dos sistemas de reporte digital mais avançados do mundo (como o eSocial e o SPED), o que, embora aumente a transparência, impõe um custo operacional elevado para a conformidade de dados.

Comparativo Global

O Brasil fica atrás apenas de jurisdições que enfrentam crises políticas severas ou regimes extremamente fechados, destacando-se como uma anomalia entre as grandes economias do G20 devido ao peso de sua burocracia interna.

Ranking 2026JurisdiçãoPrincipal Motivo da Complexidade
GréciaBurocracia administrativa e digitalização lenta.
FrançaLeis trabalhistas complexas e rigor regulatório.
BrasilSistema tributário e mudanças frequentes de regras.
MéxicoProcessos de constituição lentos e burocracia local.
ColômbiaReformas fiscais constantes e instabilidade política.

Perspectivas para o Investidor

Para especialistas, estar no "pódio" da complexidade não significa que o Brasil não seja lucrativo, mas sim que o risco operacional é maior.

  • Necessidade de Parceiros Locais: Operar no país sem uma consultoria contábil e jurídica robusta é considerado um erro estratégico para multinacionais.
  • Foco em Tecnologia: A automação de processos fiscais tornou-se a única saída para manter a competitividade diante das exigências de compliance.

Conclusão

O retorno ao 3º lugar serve como um alerta para os formuladores de políticas públicas. Enquanto o ambiente de negócios brasileiro não oferecer maior previsibilidade e simplificação, o capital internacional tenderá a ser mais seletivo, priorizando setores com margens que compensem o alto custo de conformidade exigido pelo país.