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Publicado: 20 de dezembro de 2025 às 10:16

Natura lidera brasileiras entre as melhores empresas do mundo para mulheres trabalharem, segundo ranking da Forbes

Seis companhias nacionais integram lista global de 400; destaque para políticas de equidade de gênero, liderança feminina e benefícios específicos

Na 5ª edição do ranking anual da Forbes das Melhores Empresas do Mundo para Mulheres, divulgado em outubro e analisado em profundidade em reportagem publicada nesta semana pela Forbes Brasil, seis empresas brasileiras se destacaram entre as 400 selecionadas globalmente. A Natura &Co ocupa a posição mais alta entre as nacionais, no 57º lugar mundial, seguida pelas estreantes Nubank (247º), Banco Bradesco (269º), Vale (282º), Gerdau (358º) e Embraer (362º).

O ranking, elaborado em parceria com a Statista, baseou-se em entrevistas com cerca de 120 mil mulheres em multinacionais de mais de 36 países. Os critérios incluem recomendações das próprias funcionárias, práticas gerais de trabalho, equidade salarial, combate à discriminação, oportunidades iguais, ausência de escândalos relacionados a gênero e porcentagem de mulheres em cargos de liderança. Dados dos últimos três anos foram agregados, com maior peso aos mais recentes.

As empresas brasileiras premiadas se destacam por tratar a diversidade como estratégia de negócio. Um estudo da McKinsey de 2023, citado no artigo, aponta que companhias com mais de 30% de representação feminina têm maior probabilidade de superar financeiramente as concorrentes. Elas oferecem benefícios como licenças parentais estendidas e iguais, suporte à fertilidade, treinamentos sobre maternidade e menopausa, equidade salarial e programas de mentoria.

Destaques por empresa:

  • Natura (57ª global): Paridade de gênero na alta liderança (50% mulheres em cargos seniores), 61% de colaboradoras totais (70% nos laboratórios), espaços de bem-estar, berçários e rodas de conversa sobre menopausa. "Para nós, representatividade e equidade não são promessas, são premissas", afirma Paula Benevides, executiva da companhia.
  • Nubank (247ª): CEO mulher (Livia Chanes), meta de 50% de liderança feminina até 2025, vagas afirmativas, grupos de afinidade e licenças parentais de 120 dias iguais para pais e mães.
  • Banco Bradesco (269ª): 36% de mulheres em liderança (52% no total de funcionários), mentoria, licença-maternidade de 180 dias, salas de aleitamento e linha de apoio a vítimas de violência doméstica.
  • Vale (282ª): 28,43% de mulheres na força de trabalho (17 mil), 25,6% em liderança (dobro desde 2019), aumento de 32,8% para 42,1% em mulheres negras na liderança, vagas afirmativas e programa específico para elas.
  • Gerdau (358ª): 27% de mulheres em liderança (meta de 30%), Programa Helda Gerdau com mais de 100 horas de capacitação, suporte gestacional e à menopausa.
  • Embraer (362ª): 17% de mulheres em alta gerência e 20% na força de trabalho, redes de apoio, mentoria e projetos em STEM para incentivar mulheres.

Apesar dos avanços, o artigo aponta desafios persistentes no Brasil: apenas 5% das CEOs em empresas listadas na B3 são mulheres (dados de 2024 da Vila Nova Partners), e só 17,4% das companhias têm lideranças femininas (pesquisa Insper 2025). Uma pesquisa global da Deloitte com 7.500 mulheres revela que apenas 5% planejam ficar mais de cinco anos na mesma empresa, citando falta de equilíbrio trabalho-vida (30%), remuneração (28%) e flexibilidade (27%).

As companhias destacadas combatem esses problemas com políticas consistentes de bem-estar e desenvolvimento, promovendo inovação por meio da multiplicidade de perspectivas. O ranking reforça que equidade de gênero não é apenas questão ética, mas vantagem competitiva no mercado corporativo brasileiro.