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Publicado: 27 de janeiro de 2026 às 09:45

Atuação de Viviane Barci de Moraes no caso Master é desconhecida em órgãos citados em contrato

Levantamento revela que a advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes não possui registros de atuação oficial no Banco Central, CADE, Receita Federal e Congresso, apesar de contrato de R$ 130 milhões

Novas informações sobre o contrato de prestação de serviços jurídicos entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master trazem novos questionamentos ao cenário jurídico e político. De acordo com apuração da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, não há registros de atuação formal da advogada em quatro das principais instituições previstas no acordo milionário de R$ 130 milhões: o Banco Central (BC), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Receita Federal e o Congresso Nacional.

O contrato, com vigência até 2027, estabelece que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados seria responsável por representar os interesses do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro, junto a esses órgãos. No entanto, consultas realizadas às agendas oficiais, registros de processos e sistemas de controle dessas instituições indicam uma ausência de representação direta ou participação em reuniões institucionais por parte da advogada ou de seus sócios no período de vigência do contrato.

A revelação ocorre em um momento de alta sensibilidade para o Supremo Tribunal Federal (STF). O contrato é um dos pontos centrais das críticas que levaram a questionamentos sobre a imparcialidade nas investigações do Banco Master. Embora o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tenha arquivado recentemente pedidos de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa — alegando que a relação contratual está protegida pela autonomia da advocacia —, a falta de evidências de trabalho efetivo nos órgãos citados alimenta o debate sobre a natureza do serviço prestado.

Procurados para comentar os dados, o escritório de advocacia e o Banco Master não detalharam as atividades realizadas sob o contrato, mantendo a postura de que os termos são confidenciais e protegidos pelo sigilo profissional. No Congresso e nos órgãos reguladores, técnicos e parlamentares ouvidos pela reportagem afirmaram desconhecer qualquer interlocução oficial com a banca de Viviane Barci de Moraes a respeito das demandas da instituição financeira. O caso segue sob monitoramento de órgãos de controle e da Polícia Federal, que investiga as ramificações do Banco Master no sistema financeiro nacional.