Irã descarta negociações com os Estados Unidos e critica postura de Donald Trump
Ali Larijani, autoridade de segurança nacional, nega busca por diálogo via intermediários e acusa governo americano de priorizar interesses de Israel
O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira que não pretende abrir canais de negociação com os Estados Unidos. A declaração foi feita por Ali Larijani, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal autoridade da área no país, em resposta a reportagens recentes que sugeriam que Teerã estaria buscando retomar o diálogo com a Casa Branca por meio de intermediários.
Em publicações feitas em sua conta oficial na rede social X, Larijani foi enfático ao negar qualquer tentativa de aproximação. O oficial iraniano aproveitou a ocasião para criticar duramente a política externa do presidente Donald Trump, afirmando que o líder americano "mergulhou a região no caos" com o que chamou de falsas esperanças.
Segundo a autoridade iraniana, a atual postura de Washington teria transformado o lema "America First" em "Israel First", sugerindo que os Estados Unidos estariam sacrificando soldados e recursos para satisfazer as buscas por poder do governo israelense. Larijani também rebateu acusações de agressão, declarando que as forças iranianas não deram início a nenhuma invasão e que a instabilidade regional é fruto de ações deliberadas dos EUA.
O posicionamento de Teerã ocorre em um momento de extrema tensão no Oriente Médio, marcado por trocas de ataques e movimentações militares de ambos os lados. Aliados dos Estados Unidos na região têm tentado mediar possíveis tréguas para evitar uma escalada de guerra total, mas a fala de Larijani indica uma resistência diplomática significativa por parte da cúpula de segurança nacional do Irã.
Analistas internacionais observam que a negativa de negociações fecha, ao menos temporariamente, as portas para uma saída diplomática imediata. O Conselho Supremo de Segurança Nacional, liderado por Larijani — que também atuou como conselheiro próximo do falecido líder supremo aiatolá Ali Khamenei —, é o órgão central na definição das respostas militares e estratégicas do país frente à pressão externa.
A comunidade global permanece em alerta máximo com o endurecimento do discurso iraniano. Enquanto os Estados Unidos mantêm o reforço de suas tropas no Bahrein e em outras bases operacionais no Golfo Pérsico, o Irã sinaliza que manterá sua postura de confronto direto às políticas da atual gestão americana, aumentando o receio de novos incidentes bélicos nos próximos dias.
