Justiça dos EUA condena Meta e Google em decisão histórica sobre saúde mental de jovens
Tribunal de Los Angeles entende que algoritmos e mecanismos de retenção causam vício; empresas deverão pagar indenizações e multas.
Em uma decisão inédita ocorrida nesta quarta-feira (25 de março de 2026), a Justiça Federal dos Estados Unidos condenou a Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp) e o Google (dono do YouTube) por negligência e danos à saúde mental de jovens. O júri de Los Angeles concluiu que as plataformas utilizam mecanismos deliberados para causar vício, como a rolagem infinita e algoritmos de recomendação agressivos, que mantêm os usuários conectados pelo maior tempo possível.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos que alegou ter desenvolvido depressão e ansiedade após começar a usar as redes sociais aos 6 anos de idade. Segundo a acusação, os executivos das Big Techs tinham conhecimento de que essas ferramentas eram viciantes e prejudiciais, mas optaram por mantê-las ativas em nome do lucro.
Detalhes da Condenação e Impactos
As empresas foram condenadas a pagar:
- US$ 3 milhões em indenização à jovem;
- US$ 3 milhões em multas punitivas.
Embora o valor seja simbólico diante do faturamento das gigantes, a decisão abre um precedente jurídico fundamental para centenas de outros processos semelhantes nos EUA e ao redor do mundo. A estratégia jurídica foi inspirada nas vitórias contra a indústria do tabaco nos anos 90, focando não no conteúdo das postagens, mas na arquitetura de design das plataformas que induz ao comportamento compulsivo.
Contexto Global e Derrotas Adicionais
A decisão ocorre em um momento de extrema fragilidade para a Meta, que na terça-feira (24) já havia sido condenada no Novo México a pagar US$ 375 milhões por falhas na proteção de crianças contra exploração sexual.
No Brasil, especialistas acompanham o caso com atenção, pois ele pode acelerar discussões sobre a regulamentação do acesso de menores a redes sociais e a responsabilidade das plataformas pelo bem-estar dos usuários. Enquanto Meta e YouTube anunciaram que pretendem recorrer, o veredito já é celebrado por grupos de pais e defensores dos direitos digitais como uma vitória contra a manipulação algorítmica.
