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Publicado: 31 de março de 2026 às 10:14

Combustível de aviação sobe 55% e pressiona preço das passagens aéreas no Brasil

Alta acumulada do QAV impacta diretamente os custos operacionais das companhias e deve ser repassada ao consumidor final nos próximos meses.

O setor aéreo brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão financeira com a escalada nos preços do Querosene de Aviação (QAV). Segundo dados recentes do setor, o combustível registrou uma alta acumulada de 55%, um movimento que acende o alerta para o aumento no valor das passagens aéreas. Como o insumo representa cerca de um terço dos custos totais de uma companhia aérea, a variação impacta diretamente o planejamento das empresas e o bolso dos passageiros.

Analistas do mercado explicam que o preço do QAV no Brasil acompanha as cotações internacionais do petróleo e a variação do dólar. Com a instabilidade global e a valorização da moeda americana frente ao real, o custo de operação no país torna-se mais elevado em comparação a outros mercados. Para as empresas, a margem de absorção desses custos é limitada, o que torna o repasse tarifário uma medida quase inevitável para manter a viabilidade das rotas.

Impacto no turismo e no consumo

A elevação dos preços ocorre em um momento de tentativa de recuperação plena do setor. Com passagens mais caras, o turismo doméstico é o primeiro a sentir os reflexos. Famílias que planejavam viagens de lazer podem ser forçadas a rever destinos ou adiar deslocamentos, o que gera um efeito cascata em hotéis, restaurantes e serviços que dependem do fluxo de visitantes nos aeroportos nacionais.

Além do lazer, o setor de viagens corporativas também deve sentir o peso do reajuste. Empresas que dependem de deslocamentos frequentes de funcionários já começam a revisar orçamentos de transporte para o restante do ano. Especialistas sugerem que os consumidores busquem maior antecedência nas compras e utilizem ferramentas de monitoramento de preços para tentar mitigar o impacto da alta.

Perspectivas para o setor

As associações que representam as empresas aéreas defendem que a estrutura de precificação do combustível no Brasil precisa de discussões mais amplas para garantir a competitividade. Enquanto o cenário de preços elevados persistir, a tendência é de uma malha aérea mais restrita ou concentrada em trechos de alta demanda, onde a ocupação das aeronaves garante uma melhor diluição dos custos operacionais.

Até o momento, não há previsão de recuo imediato nos preços internacionais do petróleo que possa aliviar a pressão sobre o QAV. Diante disso, o mercado projeta que o patamar das tarifas aéreas no Brasil permaneça elevado durante o próximo semestre, desafiando tanto as operadoras quanto o público que utiliza o transporte aéreo no país.